top of page
Buscar

Fim de ano: por que nos sentimos tristes quando "deveríamos" estar felizes?

Atualizado: 20 de dez. de 2025

Se você chegou até aqui, provavelmente está sentindo aquele aperto no peito que aparece quando o ano está acabando. Aquela sensação de que todo mundo está celebrando, realizado, em paz... e você está ali, tentando entender por que não consegue sentir o mesmo. Vem cá comigo, vamos conversar sobre isso com carinho.



O que é a síndrome de fim de ano?

A síndrome de fim de ano não é um diagnóstico, mas é uma experiência muito real para quem passa por ela. É um conjunto de sentimentos que visitam muitos de nós entre novembro e janeiro: uma melancolia profunda, ansiedade sobre o futuro, reflexões sobre o que ficou para trás, e principalmente, uma cobrança nem sempre gentil e persistente para estar feliz e grato.

Nossa cultura criou um roteiro: dezembro deveria ser tempo de celebração, união familiar, gratidão e alegria. Mas e quando nosso coração está sentindo outra coisa? E quando a realidade da nossa vida não combina com as luzes de Natal?


Por Que Dezembro Nos Toca Tanto?


O encontro com nossas expectativas

No começo do ano, com toda esperança, energia e positividade do mundo, fizemos planos. Sonhamos. Prometemos. E agora, dezembro chega como um espelho nos mostrando o caminho que realmente percorremos - que muitas vezes é diferente do que imaginamos.

Talvez você tenha planejado mudanças na carreira que ainda não aconteceram. Talvez tenha sonhado com mais leveza e o ano foi mais pesado que o anterior. Talvez tenha prometido se cuidar mais e a vida não deixou.

E tá tudo bem. A vida raramente cabe nos planos de janeiro. Ela tem seus próprios caminhos, suas próprias lições.


O mundo através das telas: a história que não vemos

Nas redes sociais, dezembro ganha um brilho especial, vemos famílias abraçadas em fotos perfeitas, conquistas profissionais sendo celebradas, viagens dos sonhos acontecendo, mMesas fartas e sorrisos largos, retrospectivas só de vitórias. Mas vem cá, o que não aparece nas fotos também faz parte da história: os desafios que antecedem os momentos de alegria, as dificuldades financeiras que ninguém menciona, os momentos de vulnerabilidade que todos temos, o cansaço que vem junto com as realizações e o processo, nem sempre bonito, de crescimento que também não é linear.


As pessoas, em sua maioria, usa as redes sociais como o álbum de "melhores momentos", compartilhando o resultado final editado, não o processo humano e imperfeito de viver. E comparar nossa vida completa - com todas suas nuances - com fragmentos escolhidos da vida alheia é uma matemática que nunca vai fechar a nosso favor.


A Mesa de Natal e Suas Cobranças Invisíveis

"E o namorado, quando vem?" "Ainda nesse emprego?" "Fulana da sua idade já tem dois filhos" "Você engordou, né?" "Quando vai passar num concurso?" "Precisa cuidar mais de você"

Cada pergunta é um lembrete do que você "deveria" ter conquistado. Cada comentário é uma cobrança disfarçada de preocupação. E você ali, engolindo a farofa lutando com a vontade de gritar que está fazendo o melhor que pode. E realmente está.


A cultura da positividade tóxica

Nossa sociedade criou a ideia de que dezembro = felicidade obrigatória. É a "época mais feliz do ano", lembra? Mas emoções não funcionam por decreto. Você não pode mandar na sua tristeza só porque o calendário diz que é hora de celebrar.

Quando existe uma pressão social para sentir algo específico, o resultado é geralmente o oposto. É como quando alguém diz "não pense em urso branco" - pronto, você já pensou.


O luto pelo ano que não foi

Além de toda complexidade de fatores que contribuem para essa melancolia de final de ano, também passamos, em maior ou menor intensidade, por um pequeno luto. Ao finalizar o ano, enterramos:

  • As versões de nós que não conseguimos ser

  • Os planos que não saíram do papel

  • As promessas que não foram cumpridas

  • O tempo que passou e não volta

  • As oportunidades perdidas


E luto dói. Mesmo quando ninguém morreu fisicamente.


Observe os seus sinais!

Se você observar esses sinais em você ou em alguém importante para você, é importante buscar apoio profissional.

  • Que a dor está grande demais para carregar sozinha

  • Dificuldade persistente nas atividades diárias

  • Necessidade de um espaço seguro para processar

  • Que precisa de estratégias específicas para atravessar

  • Vontade de compreender melhor seus padrões

  • Pensamentos de morte


Busque ajuda. Dezembro não precisa ser uma batalha solitária.


Psicóloga Giselle Nanci Vitoriano Zanirato | CRP14/07467-2



Comentários


© 2035 por DR. Elisa Soares Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page