O que a série 'Invejosa' nos ensina sobre feridas da infância: compreendendo a Terapia do Esquema na prática
- Psicóloga Giselle Nanci Vitoriano Zanirato | CRP14/07467-2

- 16 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
A série argentina 'Invejosa' tocou muitas pessoas ao retratar com precisão algo que vemos diariamente no consultório: como feridas emocionais da infância criam padrões que repetimos na vida adulta, mesmo quando nos causam sofrimento.
Feridas Infantis e Esquemas Desadaptativos: O que a Série Revela
Quando assistimos a protagonista repetir relacionamentos tóxicos ou sabotar momentos de felicidade, estamos vendo o que Jeffrey Young, criador da Terapia do Esquema, chama de esquemas desadaptativos precoces em ação.
Nosso desenvolvimento infantojuvenil tem impacto profundo porque é nesse período que formamos as "lentes" através das quais interpretamos o mundo e consequentemente, como nos relacionamos com ele, com os outros e principalmente com nós mesmos.
Quando necessidades básicas como segurança, conexão e autonomia não são adequadamente atendidas, desenvolvemos esquemas como:
Abandono: "As pessoas sempre me deixam"
Defectividade: "Tem algo errado comigo"
Privação Emocional: "Nunca recebo o amor que preciso"
A série mostra com clareza: não escolhemos conscientemente repetir o sofrimento. Os esquemas operam de forma automática, nos levando a recriar situações familiares, mesmo quando dolorosas.
O Modo Criança Vulnerável: quando o Passado Invade o Presente
Em diversos momentos da série acompanhamos Vicky, reagir com a intensidade emocional de uma criança ferida. Isso ilustra perfeitamente o conceito do Modo Criança Vulnerável trabalhado na terapia do esquema. No processo terapêutico, podemos experimentar momentos de vulnerabilidade e sentir raiva por isso enquanto nos questionamos: "Por que sou tão fraca assim? Por que isso me afeta tanto?" - são perguntas, que muitos fazem em terapia e tem resposta: quando tocamos em feridas antigas, ativamos a parte de nós que ainda carrega a dor original.

Em terapia, aprendemos a:
Reconhecer quando estamos no Modo Criança Vulnerável
Aprender a escutar e a validar as necessidades emocionais dessa criança que existe em nós como talvez nunca tenha sido antes
Oferecer a nós mesmos o cuidado que faltou
Como a série nos ensina, escutar nosso modo criança não é fraqueza - é o primeiro passo para não sermos mais controlados por feridas do passado.
Responsabilidade sem aprisionamento ao passado
'Invejosa' aborda uma questão crucial: conhecer as origens de nossos padrões não é sinônimo de nos prendermos às situações passadas enquanto sentenciamos culpados. Mas sim, através do desenvolvimento do Modo Adulto Saudável - sermos capazes de:
Compreender de onde vêm os padrões ("Isso vem de x situações da minha infância que me fizeram me sentir medo de ficar sozinha")
Processar as emoções não resolvidas ("Preciso sentir e validar essa dor")
Escolher conscientemente novos caminhos ("Hoje posso fazer diferente")
O processo de cura não é linear - precisamos revisitar experiências dolorosas para processá-las adequadamente. Mas isso não é viver no passado; é libertar-se dele para construir um presente diferente.
Enfrentando a própria história: o caminho para a mudança
"Cuando puedas armar un mundo que te guste, que puedas defender, que te parezca hermoso, ahí te va a importar menos el resto." - Invejosa (Netflix)
Isso captura a essência do trabalho terapêutico: construir um mundo interno sólido, baseado em seus próprios valores e desejos, não nas feridas do passado e muito menos em comparações com outras realidades.
Enfrentar nossa história envolve:
Reconhecer o que ainda dói sem julgamento
Processar emoções com auxílio Psicológico, através de técnicas experienciais, cognitivas etc
Experimentar novos comportamentos gradualmente
Integrar uma nova narrativa sobre si mesmo
Quando os padrões indicam necessidade de ajuda psicológica
Se você se identificou com a protagonista de 'Invejosa', alguns sinais de que a Terapia do Esquema pode ajudar:
Você repete os mesmos tipos de relacionamento problemáticos
Sente que "algo sempre dá errado" em sua vida
Tem reações emocionais intensas que parecem "vir do nada"
Reconhece padrões familiares dolorosos se repetindo
Sente uma desconexão entre quem você é e quem gostaria de ser
O trabalho é profundo, mas transformador
Assim como vemos na jornada da protagonista, a terapia não é sobre encontrar culpados ou obter respostas rápidas. É sobre:
Compreender com compaixão sua história
Processar o que ficou congelado no tempo
Desenvolver recursos que você não teve chance de desenvolver
Descobrir o que é, de fato, seu desejo genuíno
Quando conseguimos distinguir entre o que herdamos e o que escolhemos, entre feridas antigas e possibilidades presentes, começamos a viver de forma mais consciente e autêntica.
Buscando ajuda especializada
Como psicóloga especializada em Terapia Cognitivo-Comportamental e formada em Terapia do Esquema, trabalho justamente com pessoas que se reconhecem nesses padrões repetitivos e querem construir uma vida mais alinhada com seus valores genuínos, mesmo aquelas que necessitem descobrir quais são.
Todo o acompanhamento psicoterapêutico é cuidadoso, respeitoso ao seu tempo e necessidades e focado em mudanças sustentáveis - não em promessas de soluções mágicas.
Atendimento presencial em Campo Grande/MS e online para Brasil e exterior.
Psicóloga Giselle Nanci Vitoriano Zanirato | CRP 14/07467-2











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