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O que a série 'Invejosa' nos ensina sobre feridas da infância: compreendendo a Terapia do Esquema na prática


A série argentina 'Invejosa' tocou muitas pessoas ao retratar com precisão algo que vemos diariamente no consultório: como feridas emocionais da infância criam padrões que repetimos na vida adulta, mesmo quando nos causam sofrimento.


Feridas Infantis e Esquemas Desadaptativos: O que a Série Revela

Quando assistimos a protagonista repetir relacionamentos tóxicos ou sabotar momentos de felicidade, estamos vendo o que Jeffrey Young, criador da Terapia do Esquema, chama de esquemas desadaptativos precoces em ação.


Nosso desenvolvimento infantojuvenil tem impacto profundo porque é nesse período que formamos as "lentes" através das quais interpretamos o mundo e consequentemente, como nos relacionamos com ele, com os outros e principalmente com nós mesmos.




Quando necessidades básicas como segurança, conexão e autonomia não são adequadamente atendidas, desenvolvemos esquemas como:


  • Abandono: "As pessoas sempre me deixam"

  • Defectividade: "Tem algo errado comigo"

  • Privação Emocional: "Nunca recebo o amor que preciso"


A série mostra com clareza: não escolhemos conscientemente repetir o sofrimento. Os esquemas operam de forma automática, nos levando a recriar situações familiares, mesmo quando dolorosas.


O Modo Criança Vulnerável: quando o Passado Invade o Presente

Em diversos momentos da série acompanhamos Vicky, reagir com a intensidade emocional de uma criança ferida. Isso ilustra perfeitamente o conceito do Modo Criança Vulnerável trabalhado na terapia do esquema. No processo terapêutico, podemos experimentar momentos de vulnerabilidade e sentir raiva por isso enquanto nos questionamos: "Por que sou tão fraca assim? Por que isso me afeta tanto?" - são perguntas, que muitos fazem em terapia e tem resposta: quando tocamos em feridas antigas, ativamos a parte de nós que ainda carrega a dor original.


Em terapia, aprendemos a:

  • Reconhecer quando estamos no Modo Criança Vulnerável

  • Aprender a escutar e a validar as necessidades emocionais dessa criança que existe em nós como talvez nunca tenha sido antes

  • Oferecer a nós mesmos o cuidado que faltou


Como a série nos ensina, escutar nosso modo criança não é fraqueza - é o primeiro passo para não sermos mais controlados por feridas do passado.


Responsabilidade sem aprisionamento ao passado

'Invejosa' aborda uma questão crucial: conhecer as origens de nossos padrões não é sinônimo de nos prendermos às situações passadas enquanto sentenciamos culpados. Mas sim, através do desenvolvimento do Modo Adulto Saudável - sermos capazes de:


  1. Compreender de onde vêm os padrões ("Isso vem de x situações da minha infância que me fizeram me sentir medo de ficar sozinha")

  2. Processar as emoções não resolvidas ("Preciso sentir e validar essa dor")

  3. Escolher conscientemente novos caminhos ("Hoje posso fazer diferente")


O processo de cura não é linear - precisamos revisitar experiências dolorosas para processá-las adequadamente. Mas isso não é viver no passado; é libertar-se dele para construir um presente diferente.



Enfrentando a própria história: o caminho para a mudança

"Cuando puedas armar un mundo que te guste, que puedas defender, que te parezca hermoso, ahí te va a importar menos el resto." - Invejosa (Netflix)

Isso captura a essência do trabalho terapêutico: construir um mundo interno sólido, baseado em seus próprios valores e desejos, não nas feridas do passado e muito menos em comparações com outras realidades.

Enfrentar nossa história envolve:


  • Reconhecer o que ainda dói sem julgamento

  • Processar emoções com auxílio Psicológico, através de técnicas experienciais, cognitivas etc

  • Experimentar novos comportamentos gradualmente

  • Integrar uma nova narrativa sobre si mesmo


Quando os padrões indicam necessidade de ajuda psicológica

Se você se identificou com a protagonista de 'Invejosa', alguns sinais de que a Terapia do Esquema pode ajudar:

  • Você repete os mesmos tipos de relacionamento problemáticos

  • Sente que "algo sempre dá errado" em sua vida

  • Tem reações emocionais intensas que parecem "vir do nada"

  • Reconhece padrões familiares dolorosos se repetindo

  • Sente uma desconexão entre quem você é e quem gostaria de ser


O trabalho é profundo, mas transformador

Assim como vemos na jornada da protagonista, a terapia não é sobre encontrar culpados ou obter respostas rápidas. É sobre:

  • Compreender com compaixão sua história

  • Processar o que ficou congelado no tempo

  • Desenvolver recursos que você não teve chance de desenvolver

  • Descobrir o que é, de fato, seu desejo genuíno


Quando conseguimos distinguir entre o que herdamos e o que escolhemos, entre feridas antigas e possibilidades presentes, começamos a viver de forma mais consciente e autêntica.



Buscando ajuda especializada

Como psicóloga especializada em Terapia Cognitivo-Comportamental e formada em Terapia do Esquema, trabalho justamente com pessoas que se reconhecem nesses padrões repetitivos e querem construir uma vida mais alinhada com seus valores genuínos, mesmo aquelas que necessitem descobrir quais são.


Todo o acompanhamento psicoterapêutico é cuidadoso, respeitoso ao seu tempo e necessidades e focado em mudanças sustentáveis - não em promessas de soluções mágicas.


Atendimento presencial em Campo Grande/MS e online para Brasil e exterior.

Psicóloga Giselle Nanci Vitoriano Zanirato | CRP 14/07467-2

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